há um olhar baço
quinta-feira, maio 03, 2012
há um olhar baço
sábado, março 17, 2012
horas mascaradas…

deixo a solidão acordada, vagarosamente sinto-me vestida da tua pele.
no teu olhar a máscara das horas,
a cumplicidade de um mar,
as nossas vozes envelhecidas, numa paixão desgastada
num dia
ficou o deserto,
a loucura…
uma sede roubada,
um não, sem sentido.
já não há palavras sem medos,
ou até um corpo com raízes de afetos…
os espaços estão vazios
na duplicidade insegura
ficou a ilusão do mar, sem navegar em nós!
helena maltez
sábado, novembro 05, 2011
de mim para ti... chegada de um outono

queria sorrir aos aromas,
aos caminhos matizados
deter-me no contagio
indefinido dos espaço amarelecidos
queria que me cingisses
através das tuas cores,
entrar no frio, mas adiaste a chegada…
sim, queria aquecer os meus lábios
com o mosto quente acabado de apanhar
absorta esperei a entrada do outono
enquanto contemplava o mar encorpado, aliar-se ao vento
apareces-te tarde e depressa abalas-te
não senti o teu cheiro
e as folhas caíram cinzentas
não se tingiram de dourado…
fiquei sem entender o teu cantar
outono preguiçoso,
conseguis-te desprezar os meus sonhos…
helena maltez
quinta-feira, setembro 22, 2011
de mim para ti...

desafio as sombras no silêncio de mais uma noite
há versos nos meus dedos
que se diluem no tempo...
completo-me na tua imagem
nos sentires de uma eloquência...
há o ontem, o hoje
e
expressões sem rosto
de um amanhã
o azul é o imago da firmeza
ou o começo das tuas cores,
abre-se imprecisa a fenda
e no sóbrio fulgor do amanhã
é o mar que me abraça
há em nós um renovado dia….
helena maltez
quarta-feira, março 23, 2011
ser árvore...

sonho a certeza do sentido
esboço o resultado e não passo de uma amálgama.
as raízes prendem-me à terra
não falam, mas empurram-me nas sombras.
sustenho o grito, crescem-me os braços,
há dor nesse silêncio de tantas luas
o sangue pesa-me no corpo
fervilha como cal ardente,
é o rebentar das folhas.
cobrem-se os galhos.
não se adiam os dias
que perseguem o engrossar do tronco
puxam-me as origens
na alegria de ser árvore,
o abrigo permanente de friorentas aves
onde a beleza impera na plenitude do crescer.
rejuvenesço no principio das manhãs
de um Março que embarga nova primavera…
helena maltez
sexta-feira, junho 04, 2010
caía cacimbo...

no acalento da manhã
o cacimbo caía.
eram horas de levantar,
mais um dia meio vestido
sem gestos, apático e incontornável
corria o tempo apressado,
na rua desnudada.
a saudade, saltava em cada trilho.
deambulava o corpo cansado,
entre emoções,
revivendo amores secretos,
e as mãos entrelaçadas
deixaram de sentir.
pássaros saboreavam goiabas
no quintal vizinho,
onde tantas vezes galguei.
sem noção, olhava o infinito
brotavam da memória os amigos,
a base do meu chão.
repetiam-se os rostos
mergulhados na suavidade das acácias
e vi-te na transparência do sonho,
devolvias-me o teu sorriso
na solidão do silêncio…
helena maltez
terça-feira, março 09, 2010
mulher!

germinada de outra mulher
acordas num grito aflito,
terno e doce.
és rebento ansioso
no momento nascituro.
cresces e és encanto.
mais tarde sedução,
esperança intensa
na chama da razão.
mulher…
assim te chamam
em qualquer trilho da vida.
és voo, ritmo infindo,
razão de viver.
segues em frente e inabalável
no caminhar da perfeição.
destemida lutas
pela tua liberdade.
mulher não és gente displicente
mas guerrilheira,
inspiração ,
coragem e bravura.
mulher tu és poesia
no reforço de cada verso.
helena maltez
sábado, janeiro 23, 2010
a tua sede
sequioso queimas a boca
com palavras meias loucas
e suportas o folgo ardente
da mão inundada e listrada
a manhã apaga-se nos passos
do silêncio único da tua presença.
no rosto, a sombra triste e frágil
esboçada na ânsia do sono.
a sede é tua.
quebras o gelo das palavras que cantam
no eco de um tempo sem nomes.
aceitas a imagem desfocada
de um corpo indefeso
e a música grita no teu peito,
enquanto neva no inferno da tua alma
então matas a sede com o sangue
que brota de um coração desgastado
helena maltez
domingo, dezembro 27, 2009
natal...
ruas iluminadas
e
casas decoradas, fascinantes
barulhos de crianças, entre risos de
satisfação na algazarra natural
do abrir presentes,
as mesas fartas
e os cantares são melodiosos
é dia de Natal…
na viela, do fim da rua
da cidade iluminada,
o mar agita-se
e o vento feroz tudo desmorona
está frio e vai chover.
abrigado em metades de papelão
está um homem
sozinho,
um pão nas mãos crespadas
e um copo de café fumegante.
alguém passou
e foi o que lhe deixou…
o homem não sabe que é Natal!
helena maltez
helena maltez
domingo, novembro 22, 2009
os teus pés vesgos
entrou na porta de costas
descalço, com os pés vesgos
descia carregando medos,
as escadas suspensas em redes.
com visão lenta petrificava o espaço
e, das vidraças retratavam as sombras
do lado de lá, da porta ao lado.
encontrou o anoitecer sem horas,
velas ardiam pela casa,
como astros em campo nu
a claridade existia dentro do tempo.
passeou a memória,
sem excessos
recordou como se movia o mar
e com os dois pés esquerdos
caminhou sobre cal caída das paredes
sujas de palavras.
de dentro sangrava
o fascínio de saber sonhar.
helena maltez
domingo, setembro 20, 2009
mão no dia
olho com as mãos o dia
faz-se noite escura.
o tempo é indefinido
nos espaços renovados
sem distâncias a noite infiltra-se
no meio.
os muros tremem
ao ruído das sirenes
são tóxicos os vultos
que caminham sem crescer
tudo é alheio ao sentido da vida
fugiu a sombra
e o ontem adormeceu hoje
helena maltez
segunda-feira, maio 04, 2009
noite e dia!
empoeirado de pequenos silêncios,
com gritos prisioneiros, na lucidez feroz
do desprezo imposto, pela humilde nostalgia
na cidade dos pequenos nadas
só um vendedor de jornais
sorri com a escrita
impressa no rosto
a pressão é anseio na metamorfose
do cheiro das paisagens obstinadas
o canto nasce na pausa do dia
esgravata os espaços nos quadrados dos areais,
deixa a neblina sem som.
e provoca o senso, no deslavado remar sem dedos
nas ruas, correm as cabeças de muitos nomes
o génese é infundido na origem dos domínios,
a noite cresce no soluço tumefacto
e irrompe o odor da fadiga .
a ponte tem a noite e o dia
e a faina rola sobre o tempo
helena maltez
sábado, março 21, 2009
primavera!
no ventre os traços tecem horas somadas
árvores crescem no fulcro
e erguem-se sonhos que descem
como purificados entre silêncios de amor
a vida alenta o coração
é a chegada da Primavera
os gestos permanecem preguiçosos.
delineadas abre-se o baú de palavras
e a melodia é poesia, solfeja das cordas da guitarra.
separa-se o rosto do olhar refulgente,
perturbado fica preso, ao ponto ilusório
chega veemente a pausa sem tempo!
a paixão embarca sem medo…
o dia começa hoje
é Primavera!
helena maltez
domingo, março 01, 2009
devaneios
sentei-me na rocha
da falésia junto ao mar.
a manhã era de mitos
na grande solidão
não sabia se o mundo me pertencia.
senti-me inacabada
dentro de um dia tão frágil.
a música de fundo
vinha da minha solidão…
a correr passaram as horas de ninguém.
na noite a claridade era intensa,
vi-me dançar
sobre o brilho de um olhar.
movi o sonho, escutei o mar
nas curvas do caminho.
implacável a imagem,
permanecia no meu espaço
tecida de espuma inóspita.
intacta e indistinta
recolhi ao ímpeto do êxtase
helena maltez
sexta-feira, janeiro 30, 2009
luar de janeiro
a noite transforma-se,
há luar e é janeiro.
só a distância nos separa.
entregamo-nos a esse luar,
toco na minha mão
e, é a tua que sinto em meu corpo.
a madrugada encanta-nos
pela noite dentro,
desenha teu rosto
com um doce e meigo olhar,
embebeda-me a luz
e é o teu respirar que sinto
ofegante, numa entrega de prazer.
o cenário pertence-nos
na pura ilusão do querer
são guarida de anseios.
dançam olhares
em ritmo cadenciado
numa liberdade transfigurada
o sonho flutua
neste nosso luar de janeiro
helena maltez
domingo, janeiro 04, 2009
Mais um ano ...
De repente, implacavelmente, o tempo
arrancou as suas folhas,
a vertiginosa sucessão dos números.
Despenharam-se os relógios, as clepsidras, as
varas do sol.
Gritei, contorci-me, explodi no ar como
as canas de fogo.
Mas não havia cor.
As sombras, a sombra do mal, a sombra do
medo,
a sombra da nostalgia,
adensaram os contornos da minha vida.
Desejei morrer tantas vezes,
Viajei entre baldios, colhi plantas sem nome,
quebrei os corais do último sonho,
debrucei-me em varandas que davam apenas
para a cidade das trevas.
Bebi todos os vinhos,
tudo o que nascia dos cactos, do absinto, das
juníperas alucinadas,
da cevada dos países frios.
Devorei palavras sem sentido, orações,
rosários de pérolas negras,
liturgias que jamais responderam à extrema
solidão do homem.
Abracei um corpo de inocência perdida e
estremeci,
e esse corpo estremeceu na inquietude da
minha vida desesperada.
Talvez fosse amor esse agitar de asas,
esse brilho de lantejoulas enlouquecidas.
Não sei.
Havia uma praça onde os cães adormeciam,
sem endereço, sem dono,
sem os antigos passeios pelos prados da alegria.
Aí estavas tu, josé,
meu amigo de desumana voz,
a guardar o meu sono, a angústia das suas praias.
Mas não dizias nada.
Eras o único caminhante desses planetas para
onde eu partia,
sempre que Deus me chamava,
com a sua urgência inexplicável.
Penso sempre no seu trono de jóias raras,
sob as árvores frondosas,
e procuro a sua mão sobre a minha fronte,
sobre o meu pensamento de casas puras.
Já não tenho casa.
Fiz do desabrigo um imenso campo de anis e
flores altas.
A minha cama é essa planície onde os
animais se deitam, sem pensar em nada.
Por isso não quero a mentira dos povos, as
estátuas de bronze,
as armas brancas atrás das costas.
Quero um barco de papel, um espelho de
água, um lago.
Mais nada.
José Agostinho Baptista
quinta-feira, dezembro 25, 2008
Natal de quê?

Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Dos que não são cristãos?
Ou de quem traz às costas
As cinzas de milhões?
Natal de paz agora
Nesta terra de sangue?
Natal de liberdade
Num mundo de oprimidos?
Natal de uma justiça
Roubada sempre a todos?
Natal de ser-se igual
Em ser-se concebido,
Em de um ventre nascer-se,
Em por de amor sofrer-se,
Em de morte morrer-se,
E de ser-se esquecido?
Natal de caridade,
Quando a fome ainda mata?
Natal de qual esperança
Num mundo todo bombas?
Natal de honesta fé,
Com gente que é traição,
Vil ódio, mesquinhez,
E até Natal de amor?
Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Ou dos que olhando ao longe
Sonham de humana vida
Um mundo que não há?
Ou dos que se torturam
E torturados são
Na crença de que os homens
Devem estender-se a mão?
Jorge de Sena
domingo, outubro 12, 2008
outono!
chegaste
com a agressividade do vento.
as árvores sentiram-te,
abanaram
como a dizer adeus ao verão
que findou.
os pássaros partiram,
perdeu-se o sorrir das flores.
no chão resplandece o amarelo oiro
mas o rasto que trazes contigo
é saudoso, bafiento e árduo
o homem não te reconhece
julga-te o fardo do dia,
arrastando a morte
em cada passo,
e, na surdida da noite
celebras a nostalgia.
as portas vestem-se
de sono,
empurram a visão
de um tempo destruído.
os rostos são imagens
cerradas sem fulcros
nas paisagem enredadas do outono
despidas de folhas,
só as magnólias circulam ofuscantes.
l.maltez
abril desfolhado a tela já não é sinfonia nem as aves gritam como qualquer papoila num campo distante não há forças para sonhar ...
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sem ocupar lugar rasga caminhos, tem raízes nos sonhos colhe da palavra a verdade e semeia-a nos recortes dos dias sensível aos prazeres no ...
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o homem entrou carregado de sombras foi lugar no instinto dos sons da noite e entrou no lado errado da rua. o homem sentou-se esgotado senti...
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e hoje escrevi assim: H2O és símbolo químico que brota da terra água fresca tatuada na rocha dás vida à vida discreta quando habitas nas ...


